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sábado, 10 de novembro de 2012

Parece que o sagrado não tá nem aí

Aos doze anos, ele carregava no pescoço um crucifixo. Se sentia seguro com ele. Um dia, aos doze anos mesmo, foi atropelado por um ciclista. Ficou trinta dias de cama.
No hospital, ao acordar após a cirurgia, procurou pelo crucifixo, mas nada encontrou. Nunca mais usou um.

O tempo passou, muita coisa aconteceu, a tecnologia evoluiu, até que veio o celular. O primeiro era simples, nem câmera tinha, servia apenas para falar e enviar mensagens, se bem que funcionava muito bem como despertador. Durou cinco anos, até que passou para frente, ainda funcionando.

Comprou um mais moderno, com câmera. Primeiro colocou a foto da namorada na área de trabalho. Achava bonito isso. Mas, passados uns meses, ela fez alguma coisa que o aborreceu, que o deixou meio decepcionado. Apagou a foto, pensando, ninguém  merece tanta consideração assim. Parece que fazendo isso, o relacionamento até melhorou.

Trocou a foto da namorada pela foto de uma bíblia, na área de trabalho. Achou que por ser sagrado, talvez daria sorte ao aparelho que duraria bem mais. Um ano depois pifou, mesmo fazendo o conserto, durou apenas alguns meses. Arrumou um celular mais moderno ainda, gravou nele um arquivo contendo a  bíblia completinha. Um ano depois o celular pifou.

No século XI, Salomão construiu um templo, que seria a casa de Deus, sendo mais tarde, em 586AC, destruído por Nabucodonosor.